
Este é um blog de uma pessoa que é curiosa sobre moda e quer descobrir mais. Música, cinema, video clipes, sites e otras cosas mas que são bacanas. Porque a gente quer comida, diversão e arte!






Trilogia blockbuster hollywoodiana é um caso para se desconfiar da narrativa do filme. Mais precisamente de um que sucede outro não tão bom assim. Essa era a receita que Homens de Preto 3 poderia ter seguido. Poderia, mas não seguiu. O diretor Barry Sonnenfield decidiu fazer uma história para apagar de vez o Homens de Preto 2 e conseguiu uma terceira parte com todos os elementos: humor, criatividade, uma pitada de drama e claro, muita meleca.
A história toda acontece quando Boris, the Animal foge da prisão que fica na lua, decide voltar no tempo e matar o agente que decepou seu braço e o enviou para a prisão por 40 anos: o agente K. E para evitar que desgraça maior aconteça, o agente J também volta no tempo para tentar consertar os erros que foram cometidos ainda na década de 60, mais precisamente em 1969, no dia do lançamento da Apollo 11 no Cabo Canaveral. A partir daí, se desenvolvem ações e muitas piadas que se você não matou as aulas de história e geografia, vai entender muito bem. Ele também conta a origem da amizade e escolha de K por J para ser seu parceiro de trabalho. Muita coisa é explicada no filme e ao seu final, tem um toque de drama que pega os desavisados.
Mas o que mais me chamou a atenção no filme foi a boa atuação de Josh Brolin. Sabe aquele menino dos Goonies? Ele cresceu e fez um filme maravilhoso chamado Onde os fracos não tem vez. E caiu como luva nesse Men in Black 3 no papel do agente K mais novo no auge da década do rock e da moda. Além de ser parecido fisicamente com Tommy Lee Jones, ele mostrou um lado mais humano e alegre do sempre entufado K dos dias atuais. Sem falar também em Will Smith, que vestiu tão bem como em Men In Black 1 o uniforme da organização. E também temos a ótima participação de Emma Thompson como a agente O e paixão platônica de K. Sim, e mais uma vez temos um pop star como alienígena: Lady Gaga. No outro filme, o top E.T era Michael Jackson.
Na perseguição aos E.T’s, Homens de Preto 3 é uma boa diversão. Pode ser comercial, pode dar muito lucro, mas isso não tira o brilho que o filme tem, se igualando ou ficando até melhor que o primeiro da trilogia.
Por Sandra Martins.










Um filme no Havaí... Aí você pensa logo em surf, muita gente de biquíni e sunga e amores praianos. A única coisa dessas que falei que se encaixa no filme Os Descendentes são os amores praianos, ou melhor, um casamento com uma grande surpresa. Esse é apenas uma das várias histórias que cercam a película de Alexander Payne. Nela, George Clooney é Matt King, que vê sua vida mudar radicalmente de uma hora para outra depois do acidente que deixou sua esposa um vegetal. Com isso, ele se vê perdido ao entrar no mundo de suas duas filhas (uma adolescente e outra mais nova), já que passou a vida enfurnado num escritório de advocacia e ainda tem que lidar com uma negociação que vai vender uma bela e grande parte de terra que pertence á família desde o início da ocupação da ilha americana.
Mas como diria aquela máxima, se já está ruim pode ficar pior. Por causa desse acidente e da aproximação com a filha mais velha, ele acaba descobrindo que a esposa o traía. Antes de saber dessa bomba, ele recebe a notícia do médico que a esposa está no limiar da morte e que é necessário o desligamento das máquinas. Aí surge a dúvida: ele vai desligar logo por vingança ou vai atrás do amante da mulher? O que seria lugar comum foi rejeitado. O que Matt faz é pegar as duas filhas e ir atrás do Ricardão para avisar da morte da amante.
Outro ponto que sai dos clichês é a forma como a relação familiar é mostrada. Nada a ver com aquelas fotos de família perfeita ou daquelas tramas batidas de novela das 9, comédias românticas ou filmes com lição de vida. O que Alexander fez com Os Descendentes foi mostrar como o patriarca da família lida com situações limite e com parentes mercenários que apenas querem aproveitar o dinheiro da venda do tal terreno. E que ainda tem que conviver com um amigo abestalhado da filha mais velha e com os amigos que sabiam da traição e sempre esconderam dele.
As interpretações? As filhas de Clooney se destacam. Shailene Woodley como a filha adolescente consegue mostrar toda a frustração com a traição da mãe e a passividade do pai. Amara Miller como Scottie também dá conta do recado e se destaca na cena em que encontra com o homem que foi responsável pelo acidente de mar que causou a internação da mãe.
Os Descendentes é um filme que uns podem dizer que as pessoas vão achar bom porque Clooney é galã, outros vão achar que a narrativa é arrastada. Pra mim, ele tem pontos positivos porque não caiu no clichê de filmes de relacionamentos familiares. Ponto pro diretor, que acertou ao deixar o filme hora dramático, hora cômico e hora trágico. Um bom filme.
Por Sandra Martins.

Ele não é Midas, mas o que toca vira ouro (ou ganha prêmios em Cannes). Ele também não é santo, mas opera milagres. De quem estou falando? Do diretor dinamarquês Lars Von Trier. Com a capacidade de arrancar a melhor interpretação de atores que não esperamos tais performances, Lars consegue recriar e fazer renascer uma boa interpretação nos atores que trabalham com ele. Foi assim com Björk em Dançando no Escuro, com Nicole Kidman em Dogville e com a namorada do Homem Aranha, Kirsten Dunst em Melancolia.
Como deu pra notar, esse post é sobre Melancolia, o excelente filme de Lars Von Trier. A película com toda certeza está em quase todas as listas de melhores filmes de 2011. A razão está na direção forte do dinamarquês, no ótimo roteiro, em interpretações seguras e viscerais, numa linda fotografia e na boa trilha sonora.

A direção de Lars é de uma grandiosidade na hora de arrancar o melhor de seus atores. Charlotte Gainsbourg (que trabalhou com ele no ótimo Anticristo) dá vida a uma irmã que tem a vida totalmente certinha, seguindo todos os padrões e equilíbrios. No seu oposto, temos Kirsten que faz a irmã viva e apaixonada pelo noivo – feito pelo Alexander Skarsgård. Uma é o lado diferente da moeda da outra. A primeira parte do filme mostra como elas são diferentes e ao mesmo tempo fortes. À medida que a narrativa anda, os papéis se invertem. A irmã segura vai perdendo a fortaleza e a irmã depressiva em estágio profundo acaba dando o alento ao que restou da família. Mas a interpretação que me chamou a atenção (e até a seleção para o elenco) foi a de Kiefer Sutherland. Acostumada a vê-lo em papéis estilo Jack Bauer, é surpreendente encontrar essa verve de bom ator nele, que faz um pai de família equilibrado, centrado e seguro e que ao final sucumbe ao desespero.
A narrativa é super e com identidade, já que fala sobre um assunto pra lá de batido no cinema, o fim do mundo. Especificamente quando um planeta vai se chocar com a terra. Como Lars conseguiu deixar esse clichê interessante e inédito? Amarrando um roteiro perfeito, desde a cena inicial do filme (que é um resumo do que acontece), belíssima e que nos remete ao espetacular Kubrick sem cair na cópia descarada ou sem personalidade. A história vai se desenrolando, as performances acompanhando esse crescimento até o grand finale.
As cenas são marcantes e os atores empenhados. Algumas me marcaram mais como a abertura, a cena em que vemos o grau de depressão de Justine (Kirsten Dunst), a espera pela colisão do planeta, a festa de casamento de Justine no castelo da irmã Claire e o final.

O interessante no filme é a melancolia que atinge a todos. Ela não é apenas o nome da película, mas o sentimento que domina o íntimo até do personagem mais seguro da trama. Melancolia também é o nome do planeta azul (ou blue planet, que também podemos chamar de planeta da tristeza). O título não poderia ser mais encaixado do que esse, pois retrata como a sensação de perda e fim atinge os personagens à medida que o planeta triste azul vai se acercando da terra.
Melancolia é o filme que deve ser visto por todos e com bons olhos. Ele faz uma crítica ao casamento (sendo a festa, a instituição), aos relacionamentos de casais, ao workaholic modo de vida dos dias de hoje e também à hipocrisia que faz parte de alguns relacionamentos e da sociedade. Enfim, é uma obra de arte executada de mão cheia.
Por Sandra Martins.
Um dos melhores filmes de 2011 e sem dúvida, mais uma obra prima de Almodóvar. Assim é A Pele que Habito. O filme marca a volta do latin lover Antonio Banderas ao reino almodoviano e a presença da eterna diva do diretor, Marisa Paredes. Mas vamos ao filme. Como é de se esperar, Pedro tira nosso fôlego nessa narrativa que prende e surpreende a cada nova cena. A película é um misto de referências bem feitas ao Frankstein de Mary Shelley e ao filme francês Os Olhos sem Rosto de Georges Franju. Banderas dá vida ao médico que pesquisa uma pele extremamente forte e resistente ao processo de queimaduras.


Até aí tudo bem, só quem entra em ação a misteriosa paciente e o mais misterioso ainda acidente de carro envolvendo a esposa do personagem de Banderas. Quando imaginamos que o filme vai seguir um caminho reto até o fim, eis que surgem as viradas que dão o toque especial e nos prendem mais ainda à tela, até o fim surpreendente. O que também chama a atenção para esse filme é a forma como Almodóvar conseguiu beber de várias fontes sem cair no lugar comum cinematográfico e ainda dar sua identidade colorida e forte, mostrando que essa é uma obra do El Deseo.
Equipe completa no red carpet.
Outra coisa que o filme nos presenteia são as fortes interpretações da ótima Paredes, de Elena Anaya, do Jan Cornet e da revelação Blanca Suárez. E pra quem gosta de moda, o figurino foi concebido pelo Jean Paul Gaultier. Estrelinhas ou notas? Um 10 com louvor! E viva Almodóvar!
Por Sandra Martins.
Fonte das fotos: Google Images.