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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Prometheus: uma odisséia no espaço


Tá certo que todos os filmes de ficção científica que a gente veja vão ser inspirados em 2001: uma odisséia no espaço. O detalhe é como beber dessa fonte sem ser descarado ou sem ter identidade fílmica. E nesse caso, como o mesmo diretor faz um filme com referência de outro. Ridley Scott é famoso foi Blade Runner e Alien o 8 passageiro. E ele decidiu fazer outra aventura espacial com Prometheus, o filme que está dividindo mais opiniões do que a partilha da pipoca na sala de cinema.


Com uma abertura de encher os olhos de qualquer estudante de Geologia, o filme fala sobre a busca da imortalidade que seria dada pelos extraterrestres. Essa é a premissa inicial. Os outros pontos são o filosófico e as lutas internas para se conquistar algo desejado. A parte filosófica é a famosa questão do quem somos, qual nossa missão e para onde iremos, a origem de tudo que existe. A película começa a desenvolver essa ideia mas não se aprofunda, mas nem por isso o filme perde seu valor intelectual. Ele apenas levanta as questões, não encerra os pensamentos e deixa para que o próprio espectador tire suas conclusões.


A tão ávida busca pela imortalidade também é tratada no filme. O surpreendente personagem de Guy Pearce revela até que ponto uma pessoa pode ir e o preço que ela pode pagar para conseguir essa coisa utópica. Um outro ponto bastante comentado é a comparação entre Prometheus e Alien o 8 passageiro. Começando que o protagonista é uma mulher obstinada em se aprofundar em seu objeto de estudo, a segunda é que a história se passa no espaço e tem um extraterrestre que deseja exterminar a terra. Pronto, esse é o ponto pra todas as especulações e comparações iniciarem. A dica para ver esse filme é se desprender de toda e qualquer comparação e aproveitar a boa narrativa que nos é oferecida, embalada pelas belas imagens e efeitos especiais de encher os olhos.


O elenco também é outro ponto forte do filme. Quem se destaca mesmo é a Noomi Rapace, a Lisbeth Salander da versão sueca da trilogia Millenium. Ela faz uma Elizabeth Shaw forte, destemida, determinada e que faz um contraponto ao personagem de Chalize Theron, que também nos dá uma ótima interpretação no papel da comandante da expedição ao planeta alienígena. O personagem que se destaca tanto quanto a Noomi é o robô feito por Michael Fassbender. Com uma estrutura facial marcante e um talento latente, Fassbender faz um andróide perfeito, um quase humano que idolatra Lawrence da Arábia, copiando desde suas falas até a cor do cabelo e o penteado.

Scott teve coragem de fazer o que hoje se chama de prequel de Alien sem ser uma cópia de sua própria obra. Ele consegue criar uma outra narrativa que de alguma forma, acaba explicando e dando embasamento ao famoso Alien.


A impressão que me deu ao ver Prometheus é que Blade Runner e Alien devem ser vistos com olhos mais interessados e ver como as obras se conectam. Ainda em dúvida para ver? Aproveite que ele ainda está em algumas salas de cinema aqui na cidade e aproveite o sci-fi. Ele merece ser visto de verdade.




Por Sandra Martins.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Le mari de la coiffeuse

Uma história de amor fora do convencional. Assim é o filme "O marido da cabeleireira". Sem aqueles clichês previsíveis dos temas amorosos, a narrativa vai em cima da paixão desenfreada que o pequeno Antoine tem pela sua primeira cabeleireira. Por causa dessa paixão, ele define como objetivo de vida se casar com uma. O tempo passa e finalmente ele encontra o objeto de seu desejo e concretiza o seu sonho. Aí que começa o desenrolar da trama: a emoção forte que domina os dois, a calma de suas vidas, os clientes peculiares que aparecem no salão e a vida encerrada de um pelo outro.

Um ponto favorável ao filme de Patrice Leconte é a forma como é conduzido. O enlace amoroso mostra um senhor de quase meia idade apaixonado e cheio. de vida como o protagonista e não um galã efêmero do momento. A cabeleireira é uma bela atriz que ilumina a tela com uma mulher extremamente enamorada. Jean Rochefort e Anna Galiena dão aos personagens toda a voluptuosidade necessária e ainda criam uma atmosfera onírica no filme.

A fotografia é de um colorido perfeito, caindo como luva na história do casal. E as cenas são de muito bom gosto. Destaque para a que le petit Antoine dança em frente ao mar e aquelas em que ele brinca com seus amigos na praia. Sim, e a cena final em que o adulto Antoine dança no salão, enquanto conversa com um cliente. A revelação? O ator que faz o protagonista na fase de criança, Henry Hocking. O cinema tem a mão certa para descobrir talentos logo cedo. E esse garotinho encanta!



A trilha sonora é marcada pela música árabe que acompanha Antoine em toda sua vida, fazendo parte de todos os momentos importantes e definitivos de sua existência.

E ao fim da sessão da Coiffeusse, o corte sai muito bem. O filme é ótimo e tem uma reviravolta de tirar o fôlego daqueles que ainda achavam que era uma história comum. Opção de primeira para quem gosta de bons filmes com belas narrativas.


Por Sandra Martins.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

These are the men in black!



Trilogia blockbuster hollywoodiana é um caso para se desconfiar da narrativa do filme. Mais precisamente de um que sucede outro não tão bom assim. Essa era a receita que Homens de Preto 3 poderia ter seguido. Poderia, mas não seguiu. O diretor Barry Sonnenfield decidiu fazer uma história para apagar de vez o Homens de Preto 2 e conseguiu uma terceira parte com todos os elementos: humor, criatividade, uma pitada de drama e claro, muita meleca.

A história toda acontece quando Boris, the Animal foge da prisão que fica na lua, decide voltar no tempo e matar o agente que decepou seu braço e o enviou para a prisão por 40 anos: o agente K. E para evitar que desgraça maior aconteça, o agente J também volta no tempo para tentar consertar os erros que foram cometidos ainda na década de 60, mais precisamente em 1969, no dia do lançamento da Apollo 11 no Cabo Canaveral. A partir daí, se desenvolvem ações e muitas piadas que se você não matou as aulas de história e geografia, vai entender muito bem. Ele também conta a origem da amizade e escolha de K por J para ser seu parceiro de trabalho. Muita coisa é explicada no filme e ao seu final, tem um toque de drama que pega os desavisados.

Mas o que mais me chamou a atenção no filme foi a boa atuação de Josh Brolin. Sabe aquele menino dos Goonies? Ele cresceu e fez um filme maravilhoso chamado Onde os fracos não tem vez. E caiu como luva nesse Men in Black 3 no papel do agente K mais novo no auge da década do rock e da moda. Além de ser parecido fisicamente com Tommy Lee Jones, ele mostrou um lado mais humano e alegre do sempre entufado K dos dias atuais. Sem falar também em Will Smith, que vestiu tão bem como em Men In Black 1 o uniforme da organização. E também temos a ótima participação de Emma Thompson como a agente O e paixão platônica de K. Sim, e mais uma vez temos um pop star como alienígena: Lady Gaga. No outro filme, o top E.T era Michael Jackson.

Na perseguição aos E.T’s, Homens de Preto 3 é uma boa diversão. Pode ser comercial, pode dar muito lucro, mas isso não tira o brilho que o filme tem, se igualando ou ficando até melhor que o primeiro da trilogia.


Por Sandra Martins.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sexo, drogas e rave

São essas três palavras que definem o filme nacional Paraísos Artificiais, produção do diretor de Estamira, Marcos Prado. Rodado na Holanda, em Pernambuco e no Rio de Janeiro, a narrativa conta as experiências de 3 jovens vividos por Nathalia Dill, Luca Bianchi e Lívia de Bueno. Tudo começa numa rave em uma praia nordestina, quando os jovens se encontram e a partir daí a história se inicia. As mais loucas e fortes coincidências acontecem e deixam Erica e Nando juntos. Até aí você pode pensar que é um filme apenas sobre uma história de amor. Mas Paraísos Artificiais vai bem mais além disso. Ele é realista ao mostrar o consumo de drogas sintéticas nas festas rave, como ela afeta os que consumem demais e como ela dá o barato total. No entanto, o filme não segue a linha do "lição de moral". Ele apenas ilustra como os "doces" entraram de vez na vida de alguns jovens e como eles se destroem e morrem por causa da viagem que a droga causa.


Mas o que me chamou mais a atenção na película foi o trabalho de Nathalia Dill. Ela surpreende ao sair da linha mais certinha ao interpretar Erica, uma DJ que tem suas "viagens", um caso amoroso com a melhor amiga e ainda engravida numa noitada regada a sintética "gota". Isso sem falar nas cenas de sexo protagonizadas por ela, que ao meu ver, não foram gratuitas, mal feitas ou grossas. Com uma boa mão, o diretor soube dosar e deixar as cenas com qualidade, o que deixou os atores livres para sentir e vivenciar o que estava escrito no roteiro. Detalhe disso tudo é que o público natalense ainda não tem maturidade suficiente para ver tais cenas. Muitas pessoas na sala de cinema davam risadas e tratavam o filme como um Cine Privè da Band. Uma pena.

A revelação fica com os irmãos Nando e Lipe, que mostraram com boa interpretação todos os dilemas e dificuldades enfrentados por uma família que foi devastada pelas drogas. Nando é preso ao chegar da Holanda no Brasil por tráfico de drogas. E quando ele cumpre a pena e chega em casa, descobre que o irmão está andando com a mesma turminha de traficantes que ele andava e ainda por cima, Lipe está consumindo a droga. Essa é apenas uma das várias linhas que se entrelaçam para desenvolver toda a trama de Paraísos.



E ainda tem a trilha sonora. Ah, a trilha... muito boa, refletindo as pirações dos efeitos das drogas, caindo bem como música de fundo e fazendo com que os espectadores batessem os pés ao som do ritmo eletrônico.

Paraísos Artificiais é ótima produção nacional. Bem dirigido, com bom elenco e boa trilha sonora, ele consegue falar sobre as drogas sem ser moralista, falar de sexo sem ser hipócrita e ainda nos dar uma boa narrativa recheada com belas imagens.

Por Sandra Martins.



sábado, 21 de abril de 2012

Maman est chez le coiffeur

Que belo filme! Isso é o que pode se falar de "Mamãe foi ao cabeleireiro", produção canadense sob o comando de Léa Pool. O tema pode até ser batido - conflitos familiares - mas a condução e o roteiro se desviam do lugar comum em qual a maioria das produções que usam o mesmo tema acaba caindo. A mão segura de Tool na direção fazem de "Mamãe.." um diferencial. Todo o dilema que a família passa é recheado por belas canções e ótimas interpretações, especialmente das crianças.

A história toda começa quando a família perfeita racha quando a filha do meio desconfia da amizade do pai com o colega de golfe. A menina acha a aproximação e telefonemas deles estranhos e fica desapontada. A mãe, ao saber das suspeitas da filha (e finalmente flagrar a suposta traição) decide sair de casa. Calma, saber disso não tira o mérito do filme, pelo contrário, dá mais vigor à trama. Agora sim é que começa o dilema todo que se desenrola durante o filme. Como vai ficar essa casa sem a mãe?

Cada um encontra uma forma de superar e conviver com essa quebra. O filho mais novo, muito ligado à mãe, decide quebrar os bonecos arrancando a cabeça deles. O mais velho se concentra em construir um kart e participar de brincadeiras como 15 minutos no paraíso, enquanto a garota faz amizade com um surdo-mudo que era tido como o estranho pela vizinhança. A amizade entre os dois mostra a natureza ingênua do Sr. Mosca e como a menina amadurece durante o processo. As idas ao rio são a válvula de escape deles. O pai finalmente lida de verdade com a família. E os vizinhos nem percebem o que acontece na casa. Quando vão em busca da mãe, sempre ouvem a mesma desculpa para a ausência: "mamãe foi ao cabeleireiro". Daí o nome do filme. As interpretações são supreendentes, especialmente dos filhos mais novos. Sem falar nas histórias secundárias, que enriquecem ainda mais o filme.

A película mostra várias situações limite dentro de uma casa: a suposta homossexualidade do pai, a decepção da mãe ao ver a estrutura familiar acabar por causa disso e as angústias dos filhos ao perceber que a mãe não está com eles. Uma receita perfeita para se ter um filme cheio de preconceitos. Ao contrário disso, Léa mostra essa realidade de uma forma extremamente sensível e algumas vezes poéticas, com belas canções, belas paisagens e cenas de fazer suspirar.

É um filme muito bonito de se ver, de sentir. Não sabe o que assistir num fim de semana pela tarde? É uma ótima pedida para quem gosta de uma boa película.



Por Sandra Martins.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A menina da tatuagem de dragão.




Surpreendente. Um pipoco. Assim pode-se classificar Os homens que não amavam as mulheres, de David Fincher. A nova versão da trilogia best seller de Stieg Larsson veio com ares hollywoodianos mas nas mãos do responsável e mutante Fincher. Sorte dessa trilogia ter sido ao cargo dele porque ele sempre faz filmes marcantes; que o diga Seven, O Clube da Luta e o premiado A Rede Social.

E o que ele fez com a menina tatuada. Pra começar, chamou o Bond Daniel Craig para ser o Mikael Blomkvist e fez vários testes para escolher a Lisbeth Salander, a mola mestra desse suspense. E eis que Rooney Mara (que já havia trabalhado em A Rede Social) foi a selecionada. Pra deixar o time ainda mais forte, foram chamados Christopher Plummer, Stellan Skarsgard, Robin Wright e Goran Visnijc (o bonitão do clipe The Power of Goodbye de Madonna). Afinal, ele iria recontar a história de um filme que tinha sido feito em 2009, muito perto em termos de datas.

Antes de ir ao filme, recado aos radicais que sempre dizem que o livro é superior ao filme. Quando se tem a oportunidade de levar às telas um bom livro, há de se escolher que vertente das várias existentes na história que vai ser a principal. No caso de Os homens, as veias escolhidas por Fincher foram a vida de Lisbeth Salander e o caso do assassinato de Harriet Vanger. Sim, você vai ver um filme de suspense com toques de drama e muita sensualidade por parte do casal protagonista. Sim, você vai sentir falta da profundidade da relação de Mikael com Erika e da ocupada vida sexual do jornalista. Mas esse detalhe e outros não comprometem o andamento da narrativa. Alguns detalhes são soltos ao longo do filme para se fazer a conexão e o final dá uma explicação boa do que se passou.


O interessante dessa história são os segredos dos Vanger, um clã superpoderoso da Suécia. Tudo começa quando o grande chefão Henrik decide contratar o jornalista Mikael Blomkvist para fazer as memórias do empresário e por baixo dos panos, investigar o desaparecimento de 40 de Harriet Vanger. Ao longo da investigação, Mikael se junta a Lisbeth para descobrir o que exatamente acontece naquela família e que fim levou Harriet. Aí está o segredo da trama: a história é contada através de fotos, flashbacks e muitas deduções, meu caro Watson. A cada cena novos elementos são adicionados para deixar com mais suspense ou levar a um suposto esclarecimento do crime. Nessa, se descobre que aconteceu um assassinato em série. E a vida de Mikael e Lisbeth vira de pernas pro ar. A cada segredo que eles descobrem, uma nova ameaça aparece para eles.

A fotografia remete ao frio da Suécia e é num tom azulado, cinza, com esse aspecto de frio extremo. A trilha sonora é ótima, começando com a abertura, uma das melhores de Fincher se comparada com a de O Clube da Luta. E ela ficou a cargo de Trent Reznor e Atticus Ross, que deram um climão de Rock ao som. E falando em trilha sonora, você nunca mais vai ouvir Orinoco Flow de Enya do jeito que ouvia antes. Fica a dica.

No mais, é um filme bem feito, redondo e que em sua continuação vai explicar mais o que se passou na vida de Salander, na de Mikael e como eles ficam mais ligados ainda. Ah, e se puder leia o livro. É ótimo e vai complementar aquilo que os detalhistas mais querem. A trilogia não deixa de ser um belo suspense que vai se desenrolando e prendendo cada vez mais. Sim, e o filme é de Lisbeth Salander. Ela é a pimenta que faltava na investigação de Mikael e ainda tem um passado cheio de tensões e mistérios que vão ser mostrados nos próximos filmes e também dentro de Os Homens que não amavam as mulheres. Daniel Craig tem sua parcela de culpa no sucesso. Ele encarnou o Mikael perfeitamente e renovou a interpretação do Blomkvist sueco.


Não viu o filme ainda? Está passando nos 2 cinemas da cidade e merece muito ser conferido. E a versão sueca? Deve ser vista também. Vou me preparar para ela!

Por Sandra Martins.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A Dama e a Diva.

Junte Meryl Streep, Margaret Thatcher, um belo trabalho de figurino e maquiagem. No que poderia dar? No belo filme A Dama de Ferro, que retrata a vida da única mulher que ocupou o cargo de Primeiro Ministro da Grã Bretanha. Não se preocupe porque o filme não é nacionalista, ao estilo daqueles americanos. Ele apenas conta como a ex- Primeira Ministra passou seus dias e como ela chegou ao poder, passando por várias dificuldades, falta de credibilidade por parte das pessoas e preconceito por ser filha de um dono de mercadinho.

Com isso, você tem todos os elementos pra se fazer uma biografia melodramática. Mas o filme passa longe de ser um desse estilo. Ele mistura cenas reais com as de ficção e dá um diferencial à película. A grande sacada foi intercalar as cenas atuais com as cenas de passado, causando um fechamento perfeito para a trama, de forma que não cansa quem está assistindo. E se você gosta de história ou Geografia Política, vai ter um prato cheio e de qualidade. O filme mostra todos os conflitos políticos da época, desde a Guerra das Malvinas até a queda do muro de Berlim. Sem falar nos atentados terroristas do IRA.


Deixando os fatos históricos de lado, o filme vale pela atuação primorosa de Meryl Streep, que é uma séria candidata ao Oscar desse ano. Outros pontos favoráveis são a maquiagem, que incrivelmente deixou a atriz parecidíssima com a Margaret. Um trabalho de alta qualidade, tal qual aquele que foi feito com Leonardo Di Caprio em J.Edgar. Streep fez uma Dama de Ferro sem clichês, forte, determinada, ligada à família, de pulso forte e precursora. Uma das cenas mais interessantes do filme são os diálogos que ela tem com o marido, já com a idade avançada. Outras que podem ser citadas são a posse do poder, a primeira eleição ganha e o preconceito com o qual ela era tratada. Primeiro, pode ser a filha do homem do mercadinho e segundo, por ser mulher com uma mentalidade acima da apatia dos homens que estavam no poder.

Destaque também para o ator que faz Denis, esposo da Bossy, Jim Broadbent. Ele fez um esposo que trazia Margaret para o mundo, sempre puxando ela para a realidade fora da burocracia britânica. Ele era aquela pessoa que a fazia sorrir e esquecer um pouco da atribulada agenda política.

A Dama de Ferro também se encaixa na linha de A Rainha. O que é levado à telona não é o governo forte das duas mulheres e sim, como elas eram além desse poder. Todo o humano que as envolvia e como elas lidavam com as pressões externas e o machismo que domina ainda hoje a política. O que nos é mostrado é a mulher Margaret, a esposa, a mãe e aquela que governou a Grã Bretanha com mão de ferro e sendo pioneira.

É uma grande pedida para o fim de carnaval e para o resto da semana. Um filme que realmente foi bem sucedido e que agrada aqueles que gostam de Meryl, que gostam de História e Geografia e aqueles que finalmente apreciam uma bela película.


Por Sandra Martins.


The Thatcher Family


O casal do cinema e o da realidade.

Fonte: Google Images.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

No paraíso do Havaí?


Um filme no Havaí... Aí você pensa logo em surf, muita gente de biquíni e sunga e amores praianos. A única coisa dessas que falei que se encaixa no filme Os Descendentes são os amores praianos, ou melhor, um casamento com uma grande surpresa. Esse é apenas uma das várias histórias que cercam a película de Alexander Payne. Nela, George Clooney é Matt King, que vê sua vida mudar radicalmente de uma hora para outra depois do acidente que deixou sua esposa um vegetal. Com isso, ele se vê perdido ao entrar no mundo de suas duas filhas (uma adolescente e outra mais nova), já que passou a vida enfurnado num escritório de advocacia e ainda tem que lidar com uma negociação que vai vender uma bela e grande parte de terra que pertence á família desde o início da ocupação da ilha americana.

Mas como diria aquela máxima, se já está ruim pode ficar pior. Por causa desse acidente e da aproximação com a filha mais velha, ele acaba descobrindo que a esposa o traía. Antes de saber dessa bomba, ele recebe a notícia do médico que a esposa está no limiar da morte e que é necessário o desligamento das máquinas. Aí surge a dúvida: ele vai desligar logo por vingança ou vai atrás do amante da mulher? O que seria lugar comum foi rejeitado. O que Matt faz é pegar as duas filhas e ir atrás do Ricardão para avisar da morte da amante.

Outro ponto que sai dos clichês é a forma como a relação familiar é mostrada. Nada a ver com aquelas fotos de família perfeita ou daquelas tramas batidas de novela das 9, comédias românticas ou filmes com lição de vida. O que Alexander fez com Os Descendentes foi mostrar como o patriarca da família lida com situações limite e com parentes mercenários que apenas querem aproveitar o dinheiro da venda do tal terreno. E que ainda tem que conviver com um amigo abestalhado da filha mais velha e com os amigos que sabiam da traição e sempre esconderam dele.

As interpretações? As filhas de Clooney se destacam. Shailene Woodley como a filha adolescente consegue mostrar toda a frustração com a traição da mãe e a passividade do pai. Amara Miller como Scottie também dá conta do recado e se destaca na cena em que encontra com o homem que foi responsável pelo acidente de mar que causou a internação da mãe.

Os Descendentes é um filme que uns podem dizer que as pessoas vão achar bom porque Clooney é galã, outros vão achar que a narrativa é arrastada. Pra mim, ele tem pontos positivos porque não caiu no clichê de filmes de relacionamentos familiares. Ponto pro diretor, que acertou ao deixar o filme hora dramático, hora cômico e hora trágico. Um bom filme.

Por Sandra Martins.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O poderoso Clint

Elegância, garbo, bom gosto. E muita discrição. Essas são as palavras que podem resumir o que colocaria J.Edgar na mesmice ou na caricatura. Mas quem assumiu o comando pra contar a história do praticamente criador do FBI foi ninguém mais do que Clint Eastwood. E o cara tem o costume de fazer coisa boa. E muito boa. E ele mais uma vez não decepciona com J.Edgar. A mão segura de Eastwood mostra um homem que gostava dos holofotes, que mudou o curso da história do FBI e o transformou numa referência em termos de investigações, que tinha todos os podres dos grandes nas mãos. E a qualquer falha ou ameaça deles de acabar com o FBI, ele entrava em ação e mostrava um dossiê que convencia o grandão a desistir de puxar o tapete do Edgar.

Luz, câmera, ação: Clint e DiCaprio.

Hoover e "Hoover".
Leonardo DiCaprio mostra mais uma vez que amadureceu em termos de interpretação. Nem chega a lembrar aquele naufrágio que foi Titanic. A idade e os bons diretores com quem ele tem trabalhado fizeram a diferença. DiCaprio faz um Edgar Hoover atormentado, com enorme poder nas mãos, egocêntrico, dominado pela mãe e apaixonado por Clyde.Outros destaques do filme são Naomi Watts, como a secretária pessoal de Hoover que prioriza o trabalho ao casamento e Armie Hammer que fez Clyde, o grande amor e parceiro de Hoover e Judi Dench, como a mãe que profetizou o destino do filho.

Clyde e Hoover

Aí eu retorno ao que falei no início do texto. Quando começaram os rumores para a realização desse filme, muito se falou sobre a homossexualidade de Edgar. Que esse seria o mote principal do filme. Só que esse, era apenas um detalhe na vida do homem que revolucionou os Estados Unidos. E só Clint para trabalhar com esse assunto de maneira tão firme e bela. Não caiu em lugar comum de pessoas efeminadas ou afetadas, apenas mostrou uma relação de carinho, afetividade e respeito entre duas pessoas. E como elas se doavam. E como elas viveram juntas até a morte de Edgar. Só um diretor com sensibilidade e maturidade poderia fazer isso ser bem sucedido.

Sem falar na fotografia que dá um ar de identidade histórica, o figurino impecável, as locações, as atuações de ótimo desempenho. E sem sombra de dúvidas, Clint. Ele pode ter 80 e poucos, mas sabe como ninguém dirigir um filme. J.Edgar pode entrar facilmente na lista de belos filmes do Eastwood.


Naomi Watts, a secretária toda poderosa.



Por Sandra Martins.



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O tesouro do Lars

Ele não é Midas, mas o que toca vira ouro (ou ganha prêmios em Cannes). Ele também não é santo, mas opera milagres. De quem estou falando? Do diretor dinamarquês Lars Von Trier. Com a capacidade de arrancar a melhor interpretação de atores que não esperamos tais performances, Lars consegue recriar e fazer renascer uma boa interpretação nos atores que trabalham com ele. Foi assim com Björk em Dançando no Escuro, com Nicole Kidman em Dogville e com a namorada do Homem Aranha, Kirsten Dunst em Melancolia.

Como deu pra notar, esse post é sobre Melancolia, o excelente filme de Lars Von Trier. A película com toda certeza está em quase todas as listas de melhores filmes de 2011. A razão está na direção forte do dinamarquês, no ótimo roteiro, em interpretações seguras e viscerais, numa linda fotografia e na boa trilha sonora.


A direção de Lars é de uma grandiosidade na hora de arrancar o melhor de seus atores. Charlotte Gainsbourg (que trabalhou com ele no ótimo Anticristo) dá vida a uma irmã que tem a vida totalmente certinha, seguindo todos os padrões e equilíbrios. No seu oposto, temos Kirsten que faz a irmã viva e apaixonada pelo noivo – feito pelo Alexander Skarsgård. Uma é o lado diferente da moeda da outra. A primeira parte do filme mostra como elas são diferentes e ao mesmo tempo fortes. À medida que a narrativa anda, os papéis se invertem. A irmã segura vai perdendo a fortaleza e a irmã depressiva em estágio profundo acaba dando o alento ao que restou da família. Mas a interpretação que me chamou a atenção (e até a seleção para o elenco) foi a de Kiefer Sutherland. Acostumada a vê-lo em papéis estilo Jack Bauer, é surpreendente encontrar essa verve de bom ator nele, que faz um pai de família equilibrado, centrado e seguro e que ao final sucumbe ao desespero.

A narrativa é super e com identidade, já que fala sobre um assunto pra lá de batido no cinema, o fim do mundo. Especificamente quando um planeta vai se chocar com a terra. Como Lars conseguiu deixar esse clichê interessante e inédito? Amarrando um roteiro perfeito, desde a cena inicial do filme (que é um resumo do que acontece), belíssima e que nos remete ao espetacular Kubrick sem cair na cópia descarada ou sem personalidade. A história vai se desenrolando, as performances acompanhando esse crescimento até o grand finale.

As cenas são marcantes e os atores empenhados. Algumas me marcaram mais como a abertura, a cena em que vemos o grau de depressão de Justine (Kirsten Dunst), a espera pela colisão do planeta, a festa de casamento de Justine no castelo da irmã Claire e o final.

O interessante no filme é a melancolia que atinge a todos. Ela não é apenas o nome da película, mas o sentimento que domina o íntimo até do personagem mais seguro da trama. Melancolia também é o nome do planeta azul (ou blue planet, que também podemos chamar de planeta da tristeza). O título não poderia ser mais encaixado do que esse, pois retrata como a sensação de perda e fim atinge os personagens à medida que o planeta triste azul vai se acercando da terra.

Melancolia é o filme que deve ser visto por todos e com bons olhos. Ele faz uma crítica ao casamento (sendo a festa, a instituição), aos relacionamentos de casais, ao workaholic modo de vida dos dias de hoje e também à hipocrisia que faz parte de alguns relacionamentos e da sociedade. Enfim, é uma obra de arte executada de mão cheia.

Por Sandra Martins.




domingo, 25 de dezembro de 2011

A pele de Frankstein

Um dos melhores filmes de 2011 e sem dúvida, mais uma obra prima de Almodóvar. Assim é A Pele que Habito. O filme marca a volta do latin lover Antonio Banderas ao reino almodoviano e a presença da eterna diva do diretor, Marisa Paredes. Mas vamos ao filme. Como é de se esperar, Pedro tira nosso fôlego nessa narrativa que prende e surpreende a cada nova cena. A película é um misto de referências bem feitas ao Frankstein de Mary Shelley e ao filme francês Os Olhos sem Rosto de Georges Franju. Banderas dá vida ao médico que pesquisa uma pele extremamente forte e resistente ao processo de queimaduras.


Até aí tudo bem, só quem entra em ação a misteriosa paciente e o mais misterioso ainda acidente de carro envolvendo a esposa do personagem de Banderas. Quando imaginamos que o filme vai seguir um caminho reto até o fim, eis que surgem as viradas que dão o toque especial e nos prendem mais ainda à tela, até o fim surpreendente. O que também chama a atenção para esse filme é a forma como Almodóvar conseguiu beber de várias fontes sem cair no lugar comum cinematográfico e ainda dar sua identidade colorida e forte, mostrando que essa é uma obra do El Deseo.

Equipe completa no red carpet.

Outra coisa que o filme nos presenteia são as fortes interpretações da ótima Paredes, de Elena Anaya, do Jan Cornet e da revelação Blanca Suárez. E pra quem gosta de moda, o figurino foi concebido pelo Jean Paul Gaultier. Estrelinhas ou notas? Um 10 com louvor! E viva Almodóvar!

Por Sandra Martins.

Fonte das fotos: Google Images.