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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Prometheus: uma odisséia no espaço


Tá certo que todos os filmes de ficção científica que a gente veja vão ser inspirados em 2001: uma odisséia no espaço. O detalhe é como beber dessa fonte sem ser descarado ou sem ter identidade fílmica. E nesse caso, como o mesmo diretor faz um filme com referência de outro. Ridley Scott é famoso foi Blade Runner e Alien o 8 passageiro. E ele decidiu fazer outra aventura espacial com Prometheus, o filme que está dividindo mais opiniões do que a partilha da pipoca na sala de cinema.


Com uma abertura de encher os olhos de qualquer estudante de Geologia, o filme fala sobre a busca da imortalidade que seria dada pelos extraterrestres. Essa é a premissa inicial. Os outros pontos são o filosófico e as lutas internas para se conquistar algo desejado. A parte filosófica é a famosa questão do quem somos, qual nossa missão e para onde iremos, a origem de tudo que existe. A película começa a desenvolver essa ideia mas não se aprofunda, mas nem por isso o filme perde seu valor intelectual. Ele apenas levanta as questões, não encerra os pensamentos e deixa para que o próprio espectador tire suas conclusões.


A tão ávida busca pela imortalidade também é tratada no filme. O surpreendente personagem de Guy Pearce revela até que ponto uma pessoa pode ir e o preço que ela pode pagar para conseguir essa coisa utópica. Um outro ponto bastante comentado é a comparação entre Prometheus e Alien o 8 passageiro. Começando que o protagonista é uma mulher obstinada em se aprofundar em seu objeto de estudo, a segunda é que a história se passa no espaço e tem um extraterrestre que deseja exterminar a terra. Pronto, esse é o ponto pra todas as especulações e comparações iniciarem. A dica para ver esse filme é se desprender de toda e qualquer comparação e aproveitar a boa narrativa que nos é oferecida, embalada pelas belas imagens e efeitos especiais de encher os olhos.


O elenco também é outro ponto forte do filme. Quem se destaca mesmo é a Noomi Rapace, a Lisbeth Salander da versão sueca da trilogia Millenium. Ela faz uma Elizabeth Shaw forte, destemida, determinada e que faz um contraponto ao personagem de Chalize Theron, que também nos dá uma ótima interpretação no papel da comandante da expedição ao planeta alienígena. O personagem que se destaca tanto quanto a Noomi é o robô feito por Michael Fassbender. Com uma estrutura facial marcante e um talento latente, Fassbender faz um andróide perfeito, um quase humano que idolatra Lawrence da Arábia, copiando desde suas falas até a cor do cabelo e o penteado.

Scott teve coragem de fazer o que hoje se chama de prequel de Alien sem ser uma cópia de sua própria obra. Ele consegue criar uma outra narrativa que de alguma forma, acaba explicando e dando embasamento ao famoso Alien.


A impressão que me deu ao ver Prometheus é que Blade Runner e Alien devem ser vistos com olhos mais interessados e ver como as obras se conectam. Ainda em dúvida para ver? Aproveite que ele ainda está em algumas salas de cinema aqui na cidade e aproveite o sci-fi. Ele merece ser visto de verdade.




Por Sandra Martins.

domingo, 17 de junho de 2012

Quando as aparências enganam



A primeira coisa ao ver “O deus da carnificina” de Roman Polanski é pensar que não parece um filme dele. Nada de ocultismo, nada daqueles crimes loucos e nadica de nada da sexualidade presente em alguns de seus filmes. O que dá na cara que é Polanski é a tradicional abertura e a música de fundo, características de suas obras. Mas é isso mesmo que mostra a versatilidade do diretor, que dessa vez adaptou a peça homônima da francesa Yasmina Reza, que também colaborou para o roteiro da película.




Dessa vez, Polanski trancafiou quatro atores em dois ou três cômodos de um apartamento para discutir um problema causado pelos seus filhos, uma briga de crianças que findou em uma delas com dentes quebrados. Tudo começa quando o casal vivido por Kate Winslet e Christoph Waltz vai ao apartamento de Jodie Foster e John C.Reily para apaziguar e decidir sobre a briga infantil. Os casais iniciam a conversa polidos e interessados em discutir o assunto. Mas ao longo da narrativa, suas características e verdadeiras personalidades vão se mostrando. Alan (Christoph Waltz) é um pai desinteressado e que só se importa com o seu trabalho de advogado, sempre atendendo ao celular e saindo da conversa. Nancy (Winslet) é a esposa que se mostra frustrada com seu casamento. Já Penelope (Jodie Foster) é a mãe que toma exageradamente as dores do filho e culpa Nancy por ela ter um filho agressivo. Michael (Reily) é o marido que tenta tapar o sol com a peneira.



Tudo segue calmo até que os pais decidem agir pior que os filhos e partem para a agressão verbal e até física. O estopim é o abuso de Alan e seu celular, que nunca para de tocar e mostra o pouco caso que ele trata sua vida familiar. Uma das cenas marcantes é quando Nancy perde a paciência e joga o aparelho telefônico dentro de um jarro de tulipas. A cena que se segue a essa também é ótima, com o ataque de risos de Kate e Jodie ao ver o desespero de Alan quando ele “perde” o celular, que tem sua vida toda dentro. A partir daí, todos perdem o senso, falam demais e até tem uma DR, já que eles desabafam como são infelizes em seus relacionamentos.

A briga dos filhos é o pano de fundo para levar à tona toda a fragilidade existente nos relacionamentos dos pais. Comodismos, falta de afeto, excesso de trabalho são mascarados em nome dos filhos e por causa deles, aparece.



Mas o grande achado do filme é como o diretor trabalhou com apenas um cenário e não deixou a narrativa fraca ou cansativa. A pouca cenografia mostrou a competência de Polanski ao fazer um filme para bons atores. No caso, ótimas atrizes, já que elas dominam a película com suas fortes interpretações. Os diferentes ângulos, closes, tomadas e câmeras movimentadas dão toda uma vida ao que seria um resultado fatídico se caísse em mãos erradas. Ainda bem que caiu nas belas mãos de Roman Polanski, que soube dosar até a duração do filme, que nem chega a uma hora e meia, tudo em nome do desenvolvimento da história.

Carnage tem seus toques de humor, drama e nos dá um Polanski diferente daquele que estamos acostumados a ver e um filme que também merece ser visto. E o melhor, nos instiga a ver as outras obras cinematográficas dele.

Por Sandra Martins.

sábado, 9 de junho de 2012

A rainha malvada e o caçador


Assim deveria se chamar a versão punk rock quase Tim Burton de Branca de Neve e os sete anões. Ou melhor, Branca de Neve e o Caçador, a outra versão do conto dos irmãos Grimm adaptada por Hollywood. Diferente da primeira versão que é pop, essa segue um rumo mais punk rock, um estilo gótico que cativa o espectador.


A história é sobre a famosa Rainha Má que deseja matar a Branca de Neve e decide contratar um caçador para cometer o ato. Até aí tudo normal, mas as circunstâncias que levam a Rainha a decidir matar a princesa não são somente a inveja pura, mas a concretização de um feitiço feito pela mãe de Ravenna (o nome da Rainha Má) quando ela ainda era criança. Esse tal feitiço só pode terminar ou continuar se ela tiver o coração da Branca de Neve. Aí que entra em ação o Caçador, vivido por Chris Hemsworth. Esqueça Thor e suas atitudes de menino mimado. Chris consegue se livrar mais de Thor do que Kristen de Bella. Ele interpreta um caçador bêbado que afoga as mágoas da morte da esposa no álcool. Sabendo desse ponto fraco, a Rainha Má o chantageia para matar a princesa. Só que ela não contava que ele se afeiçoasse pela Branca de Neve e rompesse o acordado.

A ação pega pra capar começa com todo gás quando o Caçador e a Princesa entram na Floresta Negra e enfrentam a magia que a floresta tem. E é nela que eles encontram os oito anões (sim, oito!) que decidem ajudar a princesa a enfrentar os poderes de Ravenna. O que faz desse filme um diferencial é o modo como o diretor resolveu dar vida ao conto infantil. Ele separou bem os dois mundos: o gótico escuro da Rainha Má e o colorido vivo da natureza quando a Princesa entra na floresta chamada de Santuário. O figurino de Ravenna é um espetáculo a parte, principalmente perto do final do filme, quando ela assume uma postura mais má e ganha contornos de pássaros negros em seu vestuário. Se você achar essas cenas parecidas com “Frozen” de Madonna, não vai ser mera coincidência, pois a referência ao clipe feito por Chris Cunningham é clara.





Mas o filme é da Charlize Theron, já que por mais que Kristen se esforce para ser uma princesa ativa e guerreira, ainda não tem as condições para duelar de verdade com Charlize, que apesar de começar a película como uma rainha botulínica, ao decorrer da trama, ela vai ganhando ares de rainha louca e obcecada pelo seu objetivo de conseguir o coração da princesa. Suas roupas escuras ajudaram ainda mais na composição do personagem e ela toma o filme para si, juntamente com os outros personagens secundários, como os anões.

Opa, e voltemos ao conto de fadas. Outro ponto interessantíssimo é o rumo que toma a conhecida love story da princesa Branca de Neve com o Príncipe Encantado, que são separados ainda crianças quando a Rainha Má mata o Rei pai da Branca de Neve e toma o reino, expulsando a maioria dos moradores. Aí eu pergunto: lembra do título do filme? Ah e não se preocupe, não chega a ser um spoiler destruidor de narrativas.

A lição de moral? Ainda há blockbusters bem feitos. Ainda há adaptações de contos de fadas bacanas. Eu fico me perguntando como seria se Tim Burton estivesse na direção, como seria o resultado.

Antes que esqueça: sim, há saída para a falta de tino de interpretação para Kristen Stewart: trabalhar com Lars Von Trier. Aí ela vai aprender a interpretar de verdade e se livrar da pálida e insossa Bella do vampiro Edward.

Por Sandra Martins.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

These are the men in black!



Trilogia blockbuster hollywoodiana é um caso para se desconfiar da narrativa do filme. Mais precisamente de um que sucede outro não tão bom assim. Essa era a receita que Homens de Preto 3 poderia ter seguido. Poderia, mas não seguiu. O diretor Barry Sonnenfield decidiu fazer uma história para apagar de vez o Homens de Preto 2 e conseguiu uma terceira parte com todos os elementos: humor, criatividade, uma pitada de drama e claro, muita meleca.

A história toda acontece quando Boris, the Animal foge da prisão que fica na lua, decide voltar no tempo e matar o agente que decepou seu braço e o enviou para a prisão por 40 anos: o agente K. E para evitar que desgraça maior aconteça, o agente J também volta no tempo para tentar consertar os erros que foram cometidos ainda na década de 60, mais precisamente em 1969, no dia do lançamento da Apollo 11 no Cabo Canaveral. A partir daí, se desenvolvem ações e muitas piadas que se você não matou as aulas de história e geografia, vai entender muito bem. Ele também conta a origem da amizade e escolha de K por J para ser seu parceiro de trabalho. Muita coisa é explicada no filme e ao seu final, tem um toque de drama que pega os desavisados.

Mas o que mais me chamou a atenção no filme foi a boa atuação de Josh Brolin. Sabe aquele menino dos Goonies? Ele cresceu e fez um filme maravilhoso chamado Onde os fracos não tem vez. E caiu como luva nesse Men in Black 3 no papel do agente K mais novo no auge da década do rock e da moda. Além de ser parecido fisicamente com Tommy Lee Jones, ele mostrou um lado mais humano e alegre do sempre entufado K dos dias atuais. Sem falar também em Will Smith, que vestiu tão bem como em Men In Black 1 o uniforme da organização. E também temos a ótima participação de Emma Thompson como a agente O e paixão platônica de K. Sim, e mais uma vez temos um pop star como alienígena: Lady Gaga. No outro filme, o top E.T era Michael Jackson.

Na perseguição aos E.T’s, Homens de Preto 3 é uma boa diversão. Pode ser comercial, pode dar muito lucro, mas isso não tira o brilho que o filme tem, se igualando ou ficando até melhor que o primeiro da trilogia.


Por Sandra Martins.

domingo, 27 de maio de 2012

As Palmas de Cannes


Cannes é aquele festival polêmico, cheio de surpresas, com um estonteante red carpet e filmes que causam amor e ódio na platéia. Ao final da 65a edição, saiu a lista dos premiados. O grande vencedor foi o diretor Michael Haneke, que ganhou a Palma de Ouro por Amour. Antes, ele havia ganho a Palma por A Fita Branca. O filme do brasileiro Walter Salles, como o nome diz, ficou na estrada, sem prêmios. A lista dos premiados:

Palma de Ouro

“Amour”, de Michael Haneke (França)

Grande Prêmio do Júri

“Reality”, de Matteo Garrone (Itália)

Melhor Atriz

Cosmina Stratan e Cristina Flutur, por “Dupã Dealuri”, de Cristian Mungiu (Romênia)

Melhor Ator

Mads Mikkelsen, por “Jagten” (A Caça), de Thomas Vinterberg (Dinamarca)

Melhor Diretor

Carlos Reygadas, por “Post Tenebras Lux” (México)

Melhor Roteiro

“Dupã Dealuri” (Além das Colinas), de Cristian Mungiu (Romênia)

Prêmio do Júri

“The Angel’s Share”, de Ken Loach (Reino Unido)

Caméra d’Or – melhor filme de diretor estreante

“Beasts of the Southern Wild”, de Behn Zeitlin (EUA)

Melhor curta-metragem

“Silêncio”, de L. Rezan Yesilbas (Turquia)


Fonte: Google Images.

Google news.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Polanski para Prada

E Cannes nos dá uma grata surpresa: o cineasta Roman Polanski estreou um curta que conta com Helena Bonhan Carter e Ben Kingsley. Detalhe do curta: o figurino vestido por Helena é todo da Prada. A Therapy foi lançado nessa segunda feira e conta a história de uma sessão nada comum de análise. O projeto foi criado pela Prada e suas filmagens foram na sempre poética e inspiradora Paris. Além de dirigir, Polanski também colaborou com o roteiro. Agora é conferir o resultado dessa seleção escalada pela Prada!



Por Sandra Martins.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Os marginais do cinema


É com esse tema que o Cine Clube Natal abre sua sexta edição hoje. Os filmes escolhidos foram aqueles censurados, modificados ou radicalmente editados e não aceitos em seus países de origem. A mostra foi organizada por Rodrigo Hammer, Nelson Marques e Gianfranco Marchi. E a seleção passeia pelas mais variadas vertentes cinematográficas e promete incrementar mais ainda o conhecimento sobre os filmes marginais. Os filmes serão mostrados no TCP Chico Daniel, no Tirol sempre às sete da noite. Ótima pedida!

A programação é a seguinte:

VI SEMANA DO FILME CULT
Período: de 15 a 20 de maio (terça-feira a domingo)
Local: Teatro de Cultura Popular Chico Daniel
Endereço: Rua Jundiaí, 641 – Tirol (anexo ao prédio da Fundação José Augusto)
Horário: 19h


PROGRAMAÇÃO

15/05
A Mulher Macaco (1964) – 92 min.
La Donna Scimmia – ITA/FRA
Curta-Metragem (14 min.) – Viagem à Lua (Le Voyage Dans La Lune) – 1902, FRA
Dir. Georges Meliés

16/05
Performance (1970) – 105 min.
Performance – ING
Curta-Metragem (18 min.) – A Mão (Ruka) – 1966, TCH
Dir. Jiri Trnka

17/05
Onibaba – A Mulher Demônio (1964) – 103 min.
Onibaba – JAP
Curta_Metragem (15 min.) – O Pombo (De Düva) – 1968, EUA
Dir. George Coe/Anthony Lover

18/05
A Cruel Picture (1974) – 104 min.
A Cruel Picture – SUE
Curta-Metragem (15 min.) – Dois Pássaros (Smáfuglar) – 2008, ISL
Dir. Rúnar Rúnarsson

19/05
Pink Flamingos (1972) – 93 min.
Pink Flamingos – EUA
Curta-Metragem (03 min.) – Um Dia de Trabalho (Working Day) – 2010, NZE
Dir. Andres Borghi

20/05
Saló ou Os 120 Dias de Sodoma (1975) – 145 min.
Salò o Le 120 Giornate di Sodoma – ITA/FRA
Curta Metragem (15 min.) – Leviathan – 2006, CRO
Dir. Simon Bogojevic


Por Sandra Martins.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sexo, drogas e rave

São essas três palavras que definem o filme nacional Paraísos Artificiais, produção do diretor de Estamira, Marcos Prado. Rodado na Holanda, em Pernambuco e no Rio de Janeiro, a narrativa conta as experiências de 3 jovens vividos por Nathalia Dill, Luca Bianchi e Lívia de Bueno. Tudo começa numa rave em uma praia nordestina, quando os jovens se encontram e a partir daí a história se inicia. As mais loucas e fortes coincidências acontecem e deixam Erica e Nando juntos. Até aí você pode pensar que é um filme apenas sobre uma história de amor. Mas Paraísos Artificiais vai bem mais além disso. Ele é realista ao mostrar o consumo de drogas sintéticas nas festas rave, como ela afeta os que consumem demais e como ela dá o barato total. No entanto, o filme não segue a linha do "lição de moral". Ele apenas ilustra como os "doces" entraram de vez na vida de alguns jovens e como eles se destroem e morrem por causa da viagem que a droga causa.


Mas o que me chamou mais a atenção na película foi o trabalho de Nathalia Dill. Ela surpreende ao sair da linha mais certinha ao interpretar Erica, uma DJ que tem suas "viagens", um caso amoroso com a melhor amiga e ainda engravida numa noitada regada a sintética "gota". Isso sem falar nas cenas de sexo protagonizadas por ela, que ao meu ver, não foram gratuitas, mal feitas ou grossas. Com uma boa mão, o diretor soube dosar e deixar as cenas com qualidade, o que deixou os atores livres para sentir e vivenciar o que estava escrito no roteiro. Detalhe disso tudo é que o público natalense ainda não tem maturidade suficiente para ver tais cenas. Muitas pessoas na sala de cinema davam risadas e tratavam o filme como um Cine Privè da Band. Uma pena.

A revelação fica com os irmãos Nando e Lipe, que mostraram com boa interpretação todos os dilemas e dificuldades enfrentados por uma família que foi devastada pelas drogas. Nando é preso ao chegar da Holanda no Brasil por tráfico de drogas. E quando ele cumpre a pena e chega em casa, descobre que o irmão está andando com a mesma turminha de traficantes que ele andava e ainda por cima, Lipe está consumindo a droga. Essa é apenas uma das várias linhas que se entrelaçam para desenvolver toda a trama de Paraísos.



E ainda tem a trilha sonora. Ah, a trilha... muito boa, refletindo as pirações dos efeitos das drogas, caindo bem como música de fundo e fazendo com que os espectadores batessem os pés ao som do ritmo eletrônico.

Paraísos Artificiais é ótima produção nacional. Bem dirigido, com bom elenco e boa trilha sonora, ele consegue falar sobre as drogas sem ser moralista, falar de sexo sem ser hipócrita e ainda nos dar uma boa narrativa recheada com belas imagens.

Por Sandra Martins.



sábado, 5 de maio de 2012

Espelho meu

Esqueça aquele conto de fadas da Branca de Neve ao assistir “Espelho, espelho meu”. A história que todos conhecemos é sobre uma moça bonita que acaba virando praticamente uma empregada doméstica dos anões e como prêmio, acaba ganhando o amor do príncipe. O novo conto na versão do diretor Tarsem Singh ganha uma outra perspectiva: ele nos dá uma Branca de Neve diferente da usual. No começo, ela ainda segue a princesa abobalhada presa no castelo, mas há uma reviravolta e essa princesa acaba virando aliada do bando dos anões (que aqui são assaltantes que se assemelham ao Robin Hood). Sim, ela não é aquela pessoa sem sal. Ela ganha vida, vontade e força. Tem um treinamento que me lembrou o de Daniel San em Karatê Kid para se tornar uma da equipe dos anões. Fora que ela ainda duela com o príncipe, enfrenta os feitiços da Rainha Má Julia Roberts sozinha. Lily Collins fez uma Branca de Neve que quebra os estereótipos da historinha infantil e sai muito bem no papel. Outro destaque é o príncipe, vivido pelo ator Armie Hammer, que fez recentemente J.Edgar, e é um príncipe que tem seus bons momentos de comédia. E falando em comédia, a seleção dos anões é outro ponto positivo. Nada dos nomes originais, o único que ainda faz referência é o Riso, mas contamos com o anão Rambo, Napoleão dentre outros nomes bem curiosos.




O que realmente chama a atenção no filme é a forma como a trama foi conduzida, fugindo do machismo do conto original e seguindo a linha “princesa independente” que iniciou com o Alice de Tim Burton. Nesse, a princesa além de conseguir o reino de volta para o pai, ainda consegue se casar com o príncipe e se livrar da Rainha Má. É uma boa pedida pro programa vespertino, sem falar no detalhe que está na sessão das 15:00 no cinemark. Se você gosta de contos de princesas na telona, é uma boa chance de ver uma versão inusitada da menina da maçã.



Por Sandra Martins.

sábado, 31 de março de 2012

Cinema e Moda



Cinema e moda: esse é um assunto que rende e que tem muita coisa boa feita que teve o fashion style como inspiração. Foram vários os filmes que tiveram grandes estilistas como montadores de figurinos, tais como as contribuições de Jean Paul Gaultier para as películas de Almodóvar. Aproveitando a oportunidade, o blog fez uma enquete com um pessoal entendido de moda e eles falaram quais os filmes surgem em suas cabeças quando se fala em moda.

Rose Freitas, do Devaneios Fashion: “Eu lembro de Pret-a-Porter porque marcou minha infância, mas me lembro muito de Sabrina tb.

Glaucia Rebouças, Toli: “Bonequinha de luxo, Uma Linda Mulher, Sabrina ...

Ian Bernardino, do Morbid Glamour: “Funny Face com a Audrey Hepburn e Clueless com a Alicia Silverstone. http://static.ak.fbcdn.net/images/blank.gifE claro, O Diabo Veste Prada.

Ana Lu Fragoso, do Oxente Menina: O Diabo Veste Prada

Luana Mester, do De Carona na Moda: “o que me fez lembrar primeiro foi o filme Maria Antonieta... acho que pelos vestidos mais elaborados e lembra bastante do livro sobre história da moda

Alexandre Gomes, do Xique-Xique: “Me Vem na cabeça W.E. Dirigido pela Madonna, o meu preferido é o italiano Senso e o Conde de Monte Cristo!“

Max Almeida, do Moda do Brasil: “Bonequinha de luxo (antigamente) dias de hoje (o diabo veste Prada)

Qual o filme que tem mais a cara da moda pra você?


Por Sandra Martins.

sábado, 10 de março de 2012

Top 5 do Oscar 2012

Mais uma colaboração feliz para o blog. Dessa vez é do jornalista Antônio Nahud. Apreciador do cinema e blogueiro cinematográfico, ele escolheu o top 5 do Oscar desse ano. Num ano em que a premiação fez uma homenagem ao cinema, os destaques foram para A Invenção de Hugo Cabret e O Artista. Vamos ao top 5?

Por Sandra Martins.

O ARTISTA

O prêmio maior da cerimônia deste ano foi para um bom filme. Meu coração, no entanto, batia mais forte por “A Árvore da Vida” e adoraria tê-lo visto vitorioso. Nada mais inusitado do que fazer, em pleno século 21, um filme mudo e em preto em branco, enquanto grande parte da indústria cinematográfica está se rendendo a avanços tecnológicos como a evolução do 3D e do motion capture. O enredo é, em si, extremamente simples, pouco original e previsível. Mas isso pouco importa. A última preocupação do filme é soar original, ou melhor, no caso dele, ser original é justamente imitar um modelo "fora de moda". Desde a primeira sequência, Hazanavicius nos mostra que se trata de um filme de alto teor metalinguístico. O diretor faz uso de diversos recursos típicos do cinema antigo, nos brindando com ótimas gags visuais, sobreposição de imagens, utilizando com frequência a transição de íris (círculo), brincando com a iluminação, com os estilos e gêneros (indo da comédia pastelão ao melodrama e passando pelo aventura de capa e espada, e até mesmo pelo expressionismo alemão numa ótima sequência de sonho). O diretor francês prova não apenas gostar da era de ouro hollywoodiana, como também ser um profundo conhecedor da mesma. O filme faz referências a diversos artistas e é possível identificá-los em vários momentos. Como homenagem, o filme é um delicioso entretenimento e uma aula de cinema. Mas com certeza será esquecido dentro de poucos anos.

A ÁRVORE DA VIDA

É provavelmente o filme mais metafísico de Terrence Malick, um trabalho de recortes, um mosaico de representações e de símbolos. Em meio à exibição de dois momentos da vida do protagonista, a infância e a fase adulta, o diretor reconstitui o nascimento do universo e as diversas formas de vida da natureza. Esteticamente exuberante, parece tentar, através de suas belíssimas imagens, abarcar todos os sentimentos do mundo. Contando com uma fotografia linda de Emmanuel Lubezki e com fantásticos efeitos visuaiss, o filme poderia ser chamado de "O espetáculo da vida". Mas não é um filme de diálogos. A mãe, interpretada com uma sensibilidade maravilhosa por Jessica Chastain, é uma figura silenciosa. Pura representação do amor, ela tem uma relação íntima com a natureza, estando sempre em contato com ela. O pai, interpretado de maneira correta pelo sem-muita-expressão Brad Pitt, é a figura da autoridade. “A Árvore da Vida” é um filme bastante ambicioso. Com qualidades técnicas inegáveis e sensibilidade ao tratar de várias questões humanas, beira a excelência.

AS AVENTURAS DE TINTIM

A primeira animação de Spielberg já tem lugar garantido na lista dos melhores filmes de aventura do diretor. Em “As Aventuras de Tintim”, temos um Spielberg inspirado, que brinca com todas as possibilidades que a câmera digital lhe oferece. Os belíssimos travellings e planos-sequências, marcas do diretor, são abundantes e de uma extrema sofisticação. As sequências de ação são grandiosas e de tirar o fôlego e é impossível não reconhecer Indiana Jones em quase todas as cenas. Mas se não bastasse ser um filme de aventura impecável, também resgata, de certa forma, o gênero capa-e-espada, com vários combates memoráveis, o melhor deles entre Sir Francis Haddock (Andy Serkins, sempre ótimo) e seu arqui-inimigo Sakharine (Daniel Craig, também excelente) a bordo do navio Licorne. Spielberg, como uma criança diante de um brinquedo novo, parece se divertir com as possibilidades da animação. O longa se revela excelente em seus aspectos técnicos, na captura de movimentos, na qualidade da animação. Como era de se esperar, a trilha sonora de John Williams é fantástica (confesso que fiquei apreciando a música do filme durantes os créditos finais). Divertido, eletrizante, o filme é a oportunidade de ver Steven Spielberg em grande forma e de volta à aventura.

HISTÓRIAS CRUZADAS

Uma comédia (melo)dramática que não deixa de ser adorável, mesmo com seus tropeços. Isso se deve aos personagens humanos e encantadores que povoam sua narrativa. Destacando-se ainda pela caprichada direção de arte e figurino, o filme é uma coleção de grandes performances, embalada por uma história emocionante, e ainda se dá ao luxo de usar a participação especial da maravilhosa Sissy Spacek. Dominado por grandes atuações femininas, Viola Davis, comprova seu imenso talento ao fazer de Aibileen uma personagem que carrega a dor no olhar e que parece chorar mesmo quando não está. Octavia Spencer dá um show em cada cena que aparece, assumindo o papel mais cômico do longa. A jovem Emma Stone esbanja carisma e Bryce Dallas Howard está irreconhecível como a vilã do filme, em uma atuação impressionante. Jessica Chastain, que já havia feito um ótimo trabalho em “A Árvore da Vida” (2011), prova sua versatilidade e é, sem dúvida, uma das maiores revelações de 2011. Um drama delicado, mas nada original.

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET

O que esperar de um filme dirigido por um dos maiores diretores vivos do cinema sobre a sétima arte? Respondo: puro encanto. Martin Scorsese já havia provado em “O Aviador” (2004) sua maestria ao reconstituir a Era de Ouro de Hollywood. Em “A Invenção de Hugo Cabret”, emociona ao tecer uma bela homenagem ao mestre George Méliès. Uma homenagem a Méliès e uma declaração de amor ao cinema. É um filme feito para adultos que não têm medo de voltar a serem crianças e redescobrir o encantamento que a sétima arte pode provocar em nós. Uma aula de cinema e sobre o cinema. Scorsese não mede esforços para nos impressionar. Já na cena de abertura, através de uma fusão, ele faz engrenagens se transformarem na Place Charles de Gaulle (ou Place de l'Étoile) em Paris. Em seguida, através de um travelling de tirar o fôlego, que atravessa toda a estação Montparnasse, ele nos apresenta a Hugo, o herói da trama. Uma obra memorável, mas está longe dos grandes momentos do diretor.


por Antonio Nahud Júnior

www.ofalcaomaltes.blogspot.com

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A menina da tatuagem de dragão.




Surpreendente. Um pipoco. Assim pode-se classificar Os homens que não amavam as mulheres, de David Fincher. A nova versão da trilogia best seller de Stieg Larsson veio com ares hollywoodianos mas nas mãos do responsável e mutante Fincher. Sorte dessa trilogia ter sido ao cargo dele porque ele sempre faz filmes marcantes; que o diga Seven, O Clube da Luta e o premiado A Rede Social.

E o que ele fez com a menina tatuada. Pra começar, chamou o Bond Daniel Craig para ser o Mikael Blomkvist e fez vários testes para escolher a Lisbeth Salander, a mola mestra desse suspense. E eis que Rooney Mara (que já havia trabalhado em A Rede Social) foi a selecionada. Pra deixar o time ainda mais forte, foram chamados Christopher Plummer, Stellan Skarsgard, Robin Wright e Goran Visnijc (o bonitão do clipe The Power of Goodbye de Madonna). Afinal, ele iria recontar a história de um filme que tinha sido feito em 2009, muito perto em termos de datas.

Antes de ir ao filme, recado aos radicais que sempre dizem que o livro é superior ao filme. Quando se tem a oportunidade de levar às telas um bom livro, há de se escolher que vertente das várias existentes na história que vai ser a principal. No caso de Os homens, as veias escolhidas por Fincher foram a vida de Lisbeth Salander e o caso do assassinato de Harriet Vanger. Sim, você vai ver um filme de suspense com toques de drama e muita sensualidade por parte do casal protagonista. Sim, você vai sentir falta da profundidade da relação de Mikael com Erika e da ocupada vida sexual do jornalista. Mas esse detalhe e outros não comprometem o andamento da narrativa. Alguns detalhes são soltos ao longo do filme para se fazer a conexão e o final dá uma explicação boa do que se passou.


O interessante dessa história são os segredos dos Vanger, um clã superpoderoso da Suécia. Tudo começa quando o grande chefão Henrik decide contratar o jornalista Mikael Blomkvist para fazer as memórias do empresário e por baixo dos panos, investigar o desaparecimento de 40 de Harriet Vanger. Ao longo da investigação, Mikael se junta a Lisbeth para descobrir o que exatamente acontece naquela família e que fim levou Harriet. Aí está o segredo da trama: a história é contada através de fotos, flashbacks e muitas deduções, meu caro Watson. A cada cena novos elementos são adicionados para deixar com mais suspense ou levar a um suposto esclarecimento do crime. Nessa, se descobre que aconteceu um assassinato em série. E a vida de Mikael e Lisbeth vira de pernas pro ar. A cada segredo que eles descobrem, uma nova ameaça aparece para eles.

A fotografia remete ao frio da Suécia e é num tom azulado, cinza, com esse aspecto de frio extremo. A trilha sonora é ótima, começando com a abertura, uma das melhores de Fincher se comparada com a de O Clube da Luta. E ela ficou a cargo de Trent Reznor e Atticus Ross, que deram um climão de Rock ao som. E falando em trilha sonora, você nunca mais vai ouvir Orinoco Flow de Enya do jeito que ouvia antes. Fica a dica.

No mais, é um filme bem feito, redondo e que em sua continuação vai explicar mais o que se passou na vida de Salander, na de Mikael e como eles ficam mais ligados ainda. Ah, e se puder leia o livro. É ótimo e vai complementar aquilo que os detalhistas mais querem. A trilogia não deixa de ser um belo suspense que vai se desenrolando e prendendo cada vez mais. Sim, e o filme é de Lisbeth Salander. Ela é a pimenta que faltava na investigação de Mikael e ainda tem um passado cheio de tensões e mistérios que vão ser mostrados nos próximos filmes e também dentro de Os Homens que não amavam as mulheres. Daniel Craig tem sua parcela de culpa no sucesso. Ele encarnou o Mikael perfeitamente e renovou a interpretação do Blomkvist sueco.


Não viu o filme ainda? Está passando nos 2 cinemas da cidade e merece muito ser conferido. E a versão sueca? Deve ser vista também. Vou me preparar para ela!

Por Sandra Martins.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A Dama e a Diva.

Junte Meryl Streep, Margaret Thatcher, um belo trabalho de figurino e maquiagem. No que poderia dar? No belo filme A Dama de Ferro, que retrata a vida da única mulher que ocupou o cargo de Primeiro Ministro da Grã Bretanha. Não se preocupe porque o filme não é nacionalista, ao estilo daqueles americanos. Ele apenas conta como a ex- Primeira Ministra passou seus dias e como ela chegou ao poder, passando por várias dificuldades, falta de credibilidade por parte das pessoas e preconceito por ser filha de um dono de mercadinho.

Com isso, você tem todos os elementos pra se fazer uma biografia melodramática. Mas o filme passa longe de ser um desse estilo. Ele mistura cenas reais com as de ficção e dá um diferencial à película. A grande sacada foi intercalar as cenas atuais com as cenas de passado, causando um fechamento perfeito para a trama, de forma que não cansa quem está assistindo. E se você gosta de história ou Geografia Política, vai ter um prato cheio e de qualidade. O filme mostra todos os conflitos políticos da época, desde a Guerra das Malvinas até a queda do muro de Berlim. Sem falar nos atentados terroristas do IRA.


Deixando os fatos históricos de lado, o filme vale pela atuação primorosa de Meryl Streep, que é uma séria candidata ao Oscar desse ano. Outros pontos favoráveis são a maquiagem, que incrivelmente deixou a atriz parecidíssima com a Margaret. Um trabalho de alta qualidade, tal qual aquele que foi feito com Leonardo Di Caprio em J.Edgar. Streep fez uma Dama de Ferro sem clichês, forte, determinada, ligada à família, de pulso forte e precursora. Uma das cenas mais interessantes do filme são os diálogos que ela tem com o marido, já com a idade avançada. Outras que podem ser citadas são a posse do poder, a primeira eleição ganha e o preconceito com o qual ela era tratada. Primeiro, pode ser a filha do homem do mercadinho e segundo, por ser mulher com uma mentalidade acima da apatia dos homens que estavam no poder.

Destaque também para o ator que faz Denis, esposo da Bossy, Jim Broadbent. Ele fez um esposo que trazia Margaret para o mundo, sempre puxando ela para a realidade fora da burocracia britânica. Ele era aquela pessoa que a fazia sorrir e esquecer um pouco da atribulada agenda política.

A Dama de Ferro também se encaixa na linha de A Rainha. O que é levado à telona não é o governo forte das duas mulheres e sim, como elas eram além desse poder. Todo o humano que as envolvia e como elas lidavam com as pressões externas e o machismo que domina ainda hoje a política. O que nos é mostrado é a mulher Margaret, a esposa, a mãe e aquela que governou a Grã Bretanha com mão de ferro e sendo pioneira.

É uma grande pedida para o fim de carnaval e para o resto da semana. Um filme que realmente foi bem sucedido e que agrada aqueles que gostam de Meryl, que gostam de História e Geografia e aqueles que finalmente apreciam uma bela película.


Por Sandra Martins.


The Thatcher Family


O casal do cinema e o da realidade.

Fonte: Google Images.